O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou esta quarta-feira no Parlamento que a guerra iniciada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão é ilegal. Descreveu o conflito como uma "catástrofe absoluta" e alertou para um cenário "muito pior" do que o que ocorreu em 2003 com o Iraque.
Sánchez destacou que, ao contrário do Iraque, o Irão é uma potência militar com significativo poder económico, capaz de impactar globalmente. Recordou que a invasão do Iraque provocou mais de 300 mil mortos, cinco milhões de deslocados, crises migratórias e o surgimento de grupos radicais como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
Segundo Sánchez, a guerra está a destruir a legalidade internacional, desestabilizar o Médio Oriente e agravar a situação em Gaza. A atual liderança iraniana, afirmou, é ainda mais violenta, enquanto a Rússia beneficia do enfraquecimento da Ucrânia e do levantamento de sanções, e a economia mundial sofre perturbações significativas.
O primeiro-ministro sublinhou que Espanha não autorizou o uso das suas bases militares para operações contra o Irão, agindo conforme o acordo bilateral e reafirmando a soberania do país.
Sánchez pediu aos deputados a aprovação de um plano de cinco mil milhões de euros para mitigar o impacto da guerra na economia, incluindo descidas do IVA em combustíveis, gás e eletricidade, apoios a setores estratégicos e incentivos às energias renováveis.
O líder espanhol concluiu que "não é justo que alguns incendeiem o mundo e outros tenham de engolir as cinzas", enfatizando que a guerra ilegal afasta governos das prioridades sociais, como serviços públicos e habitação, e beneficia apenas interesses de poucos.
Fonte e Foto:Lusa