Um sindicato de médicos em Portugal lançou um alerta para o crescimento da mortalidade infantil e materna em regiões com carência de profissionais de saúde, destacando que os indicadores mais elevados surgem onde faltam médicos e serviços de saúde básicos.
Segundo o comunicado, as disparidades regionais relativas à mortalidade fetal, infantil e materna estão associadas a áreas onde os cuidados de saúde estão mais desfalcados, em especial no Sul do país, incluindo zonas urbanas densas como Amadora e Sintra e áreas do Alentejo e da Península de Setúbal.
O sindicato aponta que este aumento dos indicadores está a ocorrer em contexto de constrangimentos no acesso a cuidados de saúde, incluindo o encerramento de serviços de ginecologia‑obstetrícia, a falta de médicos de família e a limitada capacidade de resposta em cuidados primários e pediatria nessas regiões.
Os responsáveis sindicalistas alertam que, se não forem tomadas medidas para reforçar os serviços de saúde pública e manter as equipas médicas nas áreas mais afetadas, a tendência de agravamento destas taxas pode continuar nos próximos anos, colocando em risco a saúde de mulheres grávidas e de crianças recém‑nascidas.
O alerta coincide com relatórios recentes que apontam para défices persistentes de profissionais de saúde em Portugal, especialmente em cuidados primários, obstetrícia e pediatria, situação que agrava as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde entre diferentes regiões do país e pode ter impacto nos resultados de saúde da população.
Autoridades de saúde e profissionais têm vindo a discutir estratégias para mitigar estas disparidades e melhorar o acesso a cuidados, incluindo medidas para reforçar equipas médicas e serviços hospitalares em áreas com maior carência de recursos clínicos.
Fonte:Lusa / Foto:Paulo Novais