A presidente da Ursula von der Leyen admitiu a possibilidade de impor tetos temporários ao preço do gás na União Europeia (UE) como forma de mitigar o impacto da subida das energias nos consumidores e empresas. Contudo, deixou claro que a Comissão Europeia não pretende aumentar as importações de gás da Rússia, mantendo a linha de reduzir a dependência do bloco face a Moscovo.
Von der Leyen declarou que seria um “erro estratégico” regressar ao gás russo, apesar das pressões que surgem com o aumento dos custos energéticos no contexto de tensões geopolíticas — sobretudo no Médio Oriente — que estão a empurrar os preços para cima. A estratégia europeia passa por explorar mecanismos como subsídios, acordos de compra conjunta ou tetos de preços, sem comprometer a segurança e a autonomia energética do bloco.
A discussão sobre preços acontece enquanto a UE promove há anos uma gradual redução das importações de combustíveis fósseis russos. De acordo com a legislação europeia em preparação, as importações de gás russo — tanto em forma de gás natural liquefeito (GNL) como por gasoduto — serão progressivamente eliminadas, com planos para as proibir até finais de 2026 no caso do GNL e até 2027 no caso do gás por gasoduto.
Essas medidas fazem parte de um pacote mais amplo destinado a fortalecer a segurança energética da União e reduzir a exposição a fornecedores externos que possam usar a energia como ferramenta de pressão política. A dependência do gás russo caiu nos últimos anos, passando de uma grande fatia do total das importações para um nível significativamente inferior, à medida que a UE diversificou fontes e reforçou ligações com outros mercados.
Enquanto a Comissão pondera mecanismos de contenção de preços, analistas e líderes políticos em vários Estados-membros têm reforçado a importância de acelerar a transição para fontes renováveis e outras soluções de longo prazo, que diminuam ainda mais a necessidade de combustíveis fósseis importados.
Fonte e Foto:Lusa