Tarifas de Trump custaram 700 milhões às exportações portuguesas para os EUA
Dados do INE revelam quebra significativa nas vendas de bens para o mercado norte-americano, num momento em que o Supremo Tribunal dos EUA suspende tarifas globais e trava acordo comercial com Bruxelas.
Publicado em 27/02/2026 08:27 • Atualizado 27/02/2026 08:27
International

As empresas portuguesas exportaram menos 700 milhões de euros em bens para os Estados Unidos em 2025, como consequência direta das tarifas impostas pelo Presidente Donald Trump. Os números, apurados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e divulgados pelo Jornal de Notícias, confirmam o impacto significativo das medidas protecionistas norte-americanas na economia portuguesa.

A quebra nas exportações ocorre num contexto de tensão comercial entre Washington e a União Europeia, depois de os EUA terem aplicado um limite pautal global de 15% às exportações europeias sujeitas a direitos aduaneiros recíprocos. Em contrapartida, Bruxelas comprometeu-se a eliminar tarifas sobre todos os produtos industriais norte-americanos.

Contudo, o cenário sofreu uma reviravolta recente quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu suspender as tarifas globais impostas pela administração norte-americana, decisão que travou igualmente a ratificação formal do acordo comercial político alcançado no verão passado entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Donald Trump.

O entendimento político tinha sido anunciado a 27 de julho de 2025 e formalizado numa declaração conjunta a 21 de agosto do mesmo ano, estabelecendo compromissos bilaterais para reduzir barreiras comerciais e estabilizar as relações económicas transatlânticas. No entanto, com a suspensão judicial das tarifas, o futuro do acordo permanece incerto.

Setores estratégicos da economia portuguesa — incluindo o agroalimentar, vinhos, têxtil e componentes industriais — estão entre os mais expostos ao mercado norte-americano, o que explica a dimensão da quebra registada nas exportações.

Perante este cenário, o Governo português tem defendido uma resposta europeia coordenada e firme face às medidas protecionistas, sublinhando a importância do mercado norte-americano para o tecido empresarial nacional e para o equilíbrio das relações comerciais internacionais.

Fonte:JN / Foto:Saul LoabAFP

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