“Depois da Tempestade, Medo do Verão: Casal dos Bernardos Vê Matas Transformadas em Pólvora”
Um mês após a passagem das tempestades fortes, moradores de Casal dos Bernardos, no concelho de Ourém, preocupam-se com a floresta muito seca e cheia de restos de árvores abatidas — um risco que pode tornar o verão ainda mais perigoso por potenciais fogos florestais.
Publicado em 26/02/2026 08:01 • Atualizado 26/02/2026 08:01
Nacional
Ourém

A região de Casal dos Bernardos, em Ourém, vive agora a sombra de um receio que cresce à medida que o tempo aquece: a mata, fragilizada pelos estragos deixados pelas recentes tempestades, pode transformar-se num verdadeiro “barril de pólvora” durante o próximo verão, com condições ideais para fogos florestais que os moradores temem ver deflagrar.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia, um mês depois da passagem das tempestades que varreram a zona — em particular a depressão Kristin que provocou vento forte e muitos estragos — os campos e áreas florestais ainda mostram sinais de grande vulnerabilidade. Há muitos restos de madeira e árvores caídas que, ao secarem com o calor, aumentam o combustível disponível para um possível incêndio.

O fenómeno preocupa especialmente os moradores locais porque, com o aquecimento progressivo dos meses de verão e a vegetação já bastante seca, a probabilidade de incêndios florestais cresce significativamente. Isto acontece num contexto mais amplo em Portugal, onde a combinação de clima quente, vegetação densa e restos de tempestades anteriores tem feito com que as florestas fiquem mais inflamáveis — um risco reconhecido por especialistas em clima e gestão florestal.

Casal dos Bernardos não está sozinho neste receio: outras zonas do Centro do país, como Leiria, também enfrentam consequências da tempestade, com grande quantidade de árvores derrubadas e solos expostos que agora passam por um lento processo de regeneração — com preocupações semelhantes quanto ao risco de incêndios no futuro.

Com o verão a aproximar-se, moradores, autarcas e especialistas em proteção civil alertam para a necessidade de preparação, limpeza das matas e vigilância redobrada para reduzir o risco de fogos que, num contexto de recuperação ainda em curso, podem transformar-se em tragédias ambientais e humanas.

Fonte:Lusa / Foto;João Relvas

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