Autarca do Porto alerta para falta de estruturas intermédias de coordenação política em Portugal
Publicado em 12/02/2026 08:51
Nacional
FESTIVAL

 

Pedro Duarte defende que a resposta às recentes tempestades expôs lacunas na liderança regional e apelou ao debate sobre novos níveis de governação.

O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou esta quinta-feira que a forma como Portugal respondeu ao impacto das recentes tempestades mostra a necessidade de criar níveis intermédios de coordenação e liderança política entre o Governo central e os municípios.

Em declarações à agência Lusa, o autarca considerou que a atual organização do país não está devidamente preparada para gerir situações de emergência ou desafios que exigem ação territorial coordenada, porque falta um patamar político regional com legitimidade e poder de articulação.

Pedro Duarte explicou que, embora os interventores e governos tenham feito um “esforço hercúleo” ao deslocarem-se às zonas afetadas pelo mau tempo, a coordenação entre municípios e com o poder central nem sempre é eficaz, uma vez que os decisores tendem a focar-se no território de cada município e depois regressam a Lisboa quando a fase mais aguda passa.

O autarca salientou que esta falta de “níveis intermédios” não se limita à Proteção Civil, mas implica uma dimensão política mais ampla, com autoridade para liderar territórios numa crise e no seu seguimento.

Como exemplo de reconhecimento dessa necessidade, Duarte mencionou a criação pelo Governo de uma “estrutura de missão” para a reconstrução da região Centro após a tempestade Kristin, que, segundo ele, demonstra que há consciência da importância de estruturas com esse papel.

O autarca defendeu que Portugal deve abrir um debate sério sobre regionalização ou outras formas de descentralização, para definir que tipo de estruturas intermédias seriam mais adequadas e como poderiam funcionar, rejeitando soluções “pré-feitas” sem discussão ampla.

Pedro Duarte deixou ainda um apelo crítico a quem rejeita essas ideias sem reflexão: “Quem afirma que não faz sentido discutirmos a regionalização ou outras formas de coordenação política deveria antes… ir viver para esses territórios e só depois opinar”, afirmou.

Fonte:Lusa / Foto:wikipedia.org

 
 
Comentários