Mais de um terço das viagens em TVDE realizadas em Portugal em 2025 tiveram início ou fim em estações de comboio, terminais rodoviários ou fluviais, confirmando uma utilização cada vez mais integrada com os transportes públicos. Os dados constam de um estudo divulgado esta segunda-feira pela plataforma Bolt, que aponta para um crescimento expressivo face a 2024, ano em que essa percentagem se situava nos 23,6%.
De acordo com a análise, os serviços de TVDE estão a ser usados sobretudo como complemento ao comboio, metro e autocarro, ligando zonas residenciais aos principais eixos de transporte urbano e interurbano, sem substituir os meios coletivos.
A Bolt sublinha que esta evolução acompanha o aumento generalizado da procura por transportes públicos. Só no primeiro semestre de 2025, a CP – Comboios de Portugal transportou mais de 100 milhões de passageiros, um crescimento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na Área Metropolitana de Lisboa, o número de passes carregados atingiu cerca de 12 milhões, o dobro do registado em 2019.
Para o diretor-geral da Bolt em Portugal, Mário de Morais, a articulação entre diferentes modos de transporte é hoje decisiva para a mobilidade urbana. “Os números mostram claramente que os TVDE não substituem os transportes públicos, complementam-nos”, afirmou, acrescentando que o acesso facilitado a estações e terminais ajuda mais pessoas a optar pelo transporte coletivo no dia a dia.
O estudo identifica como principais pontos de procura a estação de Campanhã, o Terminal Rodoviário de Sete Rios, a Gare do Oriente e o Terminal Fluvial do Barreiro, reforçando o papel dos TVDE no chamado “primeiro e último quilómetro” das deslocações.
Os dados revelam ainda um aumento da distância média das viagens, sobretudo nas categorias mais económicas. Em Lisboa, esse valor cresceu mais de 12% face a 2024, enquanto no Porto o aumento chegou aos 15%, indicando uma maior ligação entre zonas residenciais menos centrais e os principais interfaces de transporte público.
Fonte:JN / Foto:ACP