O primeiro-ministro do Iémen, Salem Saleh bin Braik, apresentou a sua demissão na quinta-feira, abrindo caminho para que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Shaya Mohsen Zindani, assuma o cargo em gestão até à formação de um novo governo. O anúncio foi feito pelo governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita, que justificou a saída do chefe do executivo como uma medida para “fortalecer a unidade do processo de tomada de decisões” após a recente derrota de um golpe.
Nos últimos dias, forças militares pró-sauditas repeliram uma ofensiva de separatistas do sul do país, apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, pertencentes ao Conselho para a Transição do Sul (STC). A violência evidencia as tensões internas que marcam o campo anti-Huthis, anteriormente unido contra os rebeldes xiitas Huthis, apoiados pelo Irão.
O Iémen vive uma guerra civil desde 2014, quando os Huthis tomaram a capital e grandes áreas do território. Em 2015, a Arábia Saudita liderou uma coligação internacional para apoiar o governo iemenita, transformando o conflito em uma guerra com dimensão regional.
As rivalidades internas no campo anti-Huthis intensificaram-se em 2018, quando os separatistas do sul, representados pelo STC e apoiados pelos EAU, confrontaram forças do governo apoiadas pela Arábia Saudita. A demissão de Salem Saleh bin Braik ocorre num contexto de incerteza política e militar, mantendo o país numa frágil situação de crise.
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