UE blinda apoio à Gronelândia e avisa Washington: "Segurança do Ártico é prioridade europeia"
Publicado em 15/01/2026 04:00
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Num momento de elevada tensão transatlântica, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviou hoje uma mensagem inequívoca à Casa Branca: a Gronelândia "pode contar com o apoio total" da União Europeia. As declarações surgem poucas horas antes de uma reunião crucial em Washington entre representantes dinamarqueses, gronelandeses e a administração Trump.Uma resposta às ambições de anexação

A intervenção de Von der Leyen é uma reação direta à recente intensificação da retórica de Donald Trump, que voltou a manifestar o desejo de os Estados Unidos tomarem o controlo do território autónomo dinamarquês "por bem ou por mal". Em Bruxelas, a líder do executivo comunitário sublinhou que a soberania da ilha e os desejos da sua população devem ser respeitados.

"A Gronelândia pode contar com a União Europeia para respeitar os seus desejos, os seus interesses e a sua soberania. O Ártico e a sua segurança são, sem qualquer dúvida, um tema central para a UE", afirmou Von der Leyen em conferência de imprensa.

Frente Unida em solo europeu

O apoio de Bruxelas não é apenas verbal. A nível diplomático e político, o bloco europeu está a mover-se em várias frentes:

Pressão no Parlamento Europeu: Cerca de 30 eurodeputados já apelaram ao congelamento da ratificação de acordos comerciais com os EUA em resposta às ameaças de anexação.

Reforço Militar: A Dinamarca anunciou hoje que irá reforçar a sua presença militar na ilha e exigirá que a NATO aumente a vigilância no Ártico, alertando que uma ação unilateral dos EUA significaria o "fim da Aliança Atlântica".

Posição do Conselho: O Presidente do Conselho Europeu, António Costa, reforçou que "a Gronelândia pertence ao seu povo" e que o Direito Internacional deve prevalecer sobre a força.

O que está em jogo?

Para além da estabilidade geopolítica, a Europa vê na Gronelândia um parceiro estratégico vital. O território detém algumas das maiores reservas mundiais de matérias-primas críticas (como terras raras e lítio), fundamentais para a indústria tecnológica e para a transição energética europeia.

Enquanto a reunião decorre na Casa Branca — com a presença do Vice-Presidente JD Vance e do Secretário de Estado Marco Rubio — a Europa deixa claro que qualquer tentativa de alterar o status quo terá consequências severas nas relações internacionais.

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