O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) anunciou que vai avançar com restrições severas ao marketing do jogo, focando-se na proteção de menores e jovens adultos, cuja dependência está a disparar.O cenário de dependência do jogo em Portugal está a agravar-se e exige uma intervenção urgente. Esta foi a mensagem central de Joana Teixeira, presidente do ICAD, durante uma audição parlamentar realizada esta quarta-feira. Perante o aumento do número de pessoas a procurar tratamento na rede pública, o organismo prepara-se para apresentar, "em breve", um pacote de medidas destinadas a limitar a exposição dos cidadãos a conteúdos que promovem apostas e jogos de fortuna ou azar.
O fim do "ganho fácil" nos ecrãs
A estratégia do ICAD não passa obrigatoriamente pela proibição total, mas sim por uma regulação apertada de horários e canais de difusão. Um dos principais alvos são as redes sociais e os influenciadores digitais, que, segundo a responsável, vendem um "estilo de vida irrealista" baseado no lucro imediato, captando a atenção de públicos vulneráveis.
"É fundamental reduzir os horários de publicidade para garantir que os menores não sejam expostos a estas mensagens", defendeu Joana Teixeira, sublinhando a necessidade de uma ação conjunta entre vários ministérios.
Retrato de um vício em números
Os dados apresentados traçam um perfil preocupante:
Aumento na procura de ajuda: O número de utentes em tratamento ambulatório subiu de 358 (em 2023) para 548 no último ano.
Perfil do jogador: A dependência afeta maioritariamente homens, com especial incidência nas faixas etárias dos 25-34 anos e 45-54 anos.
Jovens em risco: Cerca de 18% dos jovens entre os 13 e os 18 anos admitiram ter jogado a dinheiro no último ano.
Novas respostas clínicas
Para responder a esta realidade, o ICAD anunciou a criação do Fórum do Jogo ainda neste semestre e a implementação de programas específicos para o vício do jogo em comunidades terapêuticas, que até agora estavam focadas quase exclusivamente em problemas de álcool e drogas.
Embora o Euromilhões e a "raspadinha" continuem a ser os jogos físicos mais populares, as apostas online são a grande porta de entrada para os mais novos, o que motiva esta nova ofensiva regulatória do Governo.
Fonte: Declarações ao Jornal de Notícias