Lisboa, 20 out 2026 (Lusa) — A Guarda Nacional Republicana (GNR) contabilizou este ano mais de 1.650 ilícitos penais em ambiente escolar, dos quais cerca de 80 dizem respeito a práticas de bullying e ciberbullying, segundo dados divulgados esta terça-feira pela corporação no âmbito do Dia Mundial de Combate ao Bullying.
Na sua área de jurisdição, a força de segurança registou 72 ocorrências de bullying, com maior incidência nos distritos de Setúbal (10 casos), Porto (nove), Castelo Branco (oito), Lisboa (oito) e Santarém (sete). Relativamente ao ciberbullying, foram sinalizados seis casos distribuídos por Braga, Setúbal, Porto e Santarém. Em resposta a este fenómeno, a GNR reforçou a prevenção no ano letivo 2025/2026, realizando cerca de 1.850 ações de sensibilização que alcançaram mais de 67 mil alunos — um crescimento de 23% face ao ano letivo anterior.
Apesar de o bullying não se encontrar tipificado de forma autónoma no Código Penal, a Guarda lembra que estes atos configuram frequentemente crimes de ofensas à integridade física, injúrias, ameaças e coação. Com os sinais de alerta a surgirem quase sempre em silêncio, a autoridade apela a pais e educadores para que fiquem atentos a alterações de humor, queixas físicas recorrentes e mudanças de comportamento nos mais jovens, sublinhando que a segurança e a saúde mental começam no seio familiar e comunitário.
Como medidas preventivas, a GNR desaconselha o silêncio e a cumplicidade por parte dos colegas, recomendando aos jovens que denunciem qualquer situação, evitem locais isolados e não partilhem conteúdos ofensivos. No âmbito digital, os encarregados de educação são instruídos a monitorizar a rotina online das crianças, preservando sempre mensagens ou imagens que sirvam de prova para eventuais denúncias às autoridades.