Paris, 17 out 2026 (Lusa) – Manifestantes provocaram fogos e causaram estragos em edifícios de diversas cidades francesas durante uma vaga de protestos motivada pela escalada do custo de vida e pelas precárias condições nos estabelecimentos de ensino.
Na capital, a Praça da República transformou-se num palco de confrontos violentos. A polícia de intervenção utilizou gás lacrimogéneo para dispersar centenas de elementos encapuzados que arremessavam petardos e engenhos contra os agentes, ao som de palavras de ordem a exigir a renúncia do Presidente Emmanuel Macron.
A mobilização nacional resultou de uma convergência de apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos «coletes amarelos», somando-se aos bloqueios promovidos por estudantes secundaristas desde setembro e ao apoio da central sindical CGT, que exige o aumento de salários e a defesa dos serviços públicos.
Segundo o Ministério do Interior, até ao meio-dia registavam-se mais de 140 ações fora da região parisiense, mobilizando superiormente a 30 mil pessoas e resultando em pelo menos 166 detenções a nível nacional. Registo de distúrbios graves, pilhagens e vandalismo em cidades como Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, afetando instalações governamentais, forças policiais e órgãos de comunicação social.
Perante o cenário de degradação da ordem pública e o registo de feridos graves — que levou à suspensão de um modelo de granada de atordoamento policial após um jovem de 15 anos ter sofrido a amputação de uma mão —, Emmanuel Macron apelou à calma, recordando que o direito de manifestação exige respeito pelas pessoas e pelo património.