PORTO — A resposta à intervenção policial ocorrida na madrugada de quinta-feira na Praça D. João I não se fez esperar. Longe de arrefecer os ânimos, a carga das forças de segurança — que resultou em dezenas de feridos — e as posteriores declarações públicas do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e de responsáveis do Governo atuaram como catalisador. O centro da Invicta voltou este fim de tarde a encher-se de cidadãos, numa demonstração de união e solidariedade pelo direito à habitação digna.
No local, o cenário reflete a transversalidade do problema na sociedade portuguesa. A praça acolhe desde famílias com crianças e jovens trabalhadores até reformados, unidos por uma crise imobiliária que atinge todas as faixas etárias.
Gerações Sufocadas pelo Custo de Vida
Os relatos de quem se manifesta convergem na dificuldade em fazer face às despesas básicas de subsistência:
Jovens e Profissionais: Mesmo com emprego estável e rendimentos mensais, muitos relatam ser impossível alcançar a independência financeira ou suportar o custo dos arrendamentos no mercado atual, mantendo-se na casa dos pais ou falhando o acesso até a um único quarto.
Famílias: Pais de família descrevem jornadas de trabalho duplas e noturnas para conseguir liquidar as prestações bancárias do crédito à habitação ou os valores dos contratos de arrendamento, cujo agravamento devora a margem do orçamento familiar.
Reformados: Os idosos presentes denunciam que o valor das pensões de reforma mal cobre a aquisição de bens alimentares de primeira necessidade, tornando os custos de alojamento um encargo incomportável.
Protesto Pacífico Sob Olhar Atento
Diferencialmente do cenário vivido na madrugada anterior, até ao momento a mobilização na Praça D. João I decorre num ambiente pacífico e sem registo de incidentes ou novas intervenções policiais, mantendo-se a cidade firme na exigência de respostas concretas para o setor imobiliário.
Principais Reivindicações do Movimento:
Aplicação de limites e tetos aos valores de arrendamento.
Fim dos despejos e travagem da compra de imóveis por fundos imobiliários.
Aumento substancial da oferta de habitação pública e mobilização de imóveis devolutos.
Fonte - Redação jornalística da rádio Festival