O fenómeno global em redor dos novos fármacos para a perda de peso e controlo da diabetes está a ter um impacto direto no sistema de farmacovigilância. Em Portugal, a utilização crescente destes medicamentos tem vindo acompanhada por um número significativo de alertas: em média, é registada uma suspeita de reação adversa por dia associada a esta classe terapêutica.
Os dados refletem a popularidade exponencial de fármacos injetáveis (como os análogos do GLP-1), impulsionada tanto pela eficácia demonstrada no tratamento da obesidade como pela forte exposição nas redes sociais e na opinião pública. Contudo, esta elevada procura tem também colocado em evidência os riscos decorrentes da sua utilização, sobretudo quando efetuada sem o devido acompanhamento médico ou para fins meramente estéticos.
Queixas Frequentes e Riscos Associados
Entre as reações mais comummente notificadas pelos utentes e profissionais de saúde encontram-se:
Perturbações gastrointestinais: Náuseas intensas, vómitos, diarreia, obstipação e dores abdominais.
Efeitos sistémicos: Fadiga marcada, tonturas e hipoglycemia (especialmente quando combinados com outros tratamentos).
Casos graves sob investigação: Complicações mais raras, como pancreatite ou problemas na vesícula biliar, que exigem monitorização rigorosa.
As autoridades de saúde sublinham que a notificação de uma "suspeita de reação adversa" não confirma automaticamente uma relação de causa-efeito direta com o medicamento, mas funciona como um indicador essencial para monitorizar o perfil de segurança destes produtos no mercado.
Apelo à Prescrição e Uso Responsável
Perante este cenário, os especialistas voltam a alertar para os perigos do recurso a estes fármacos fora das indicações aprovadas ou através de canais de venda não autorizados (como a aquisição através da internet).
A obesidade é uma doença crónica complexa que exige um plano de tratamento integrado — incluindo alterações no estilo de vida, nutrição e exercício físico. O uso de medicação deve ser sempre individualizado, prescrito por um médico e sujeito a uma vigilância regular para minimizar complicações e garantir a segurança do doente.
Fonte - Lusa