OVAR — Dezenas de agricultores e produtores pecuários manifestaram-se em Ovar para exigir respostas urgentes do Governo perante a grave crise que atravessa o setor primário em Portugal. Sob o lema do descontentamento e da preocupação com o futuro das suas explorações, os manifestantes acusaram o Executivo de "abandono" e reivindicaram condições de trabalho justas e "salários dignos" para quem trabalha a terra.
Durante o protesto, os participantes alertaram para a perda contínua do poder de compra, agravada pela escalada dos custos dos fatores de produção — como combustíveis, fertilizantes, rações e energia — que contrasta com os baixos preços pagos aos produtores na origem. Segundo os organizadores, a margem de lucro sufocada torna insustentável a manutenção da atividade para muitas famílias da região.
"Não pedimos subsídios por favor, pedimos para viver do nosso trabalho com dignidade", afirmou um dos porta-vozes da manifestação, sublinhando que a falta de incentivos e a burocracia excessiva estão a empurrar os mais jovens para fora do setor e a condenar o mundo rural ao despovoamento.
Os protestantes exigem medidas imediatas de apoio aos rendimentos agrícolas, regulação das margens de comercialização na grande distribuição e um plano estratégico nacional que proteja a produção local e assegure a soberania alimentar do país.
A ação de protesto em Ovar insere-se num conjunto de mobilizações que os agricultores prometem intensificar caso as suas reivindicações continuem sem resposta por parte da tutela.
Fonte - Lusa