Vila Nova de Gaia, 09 out 2026 (Lusa) — A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia voltou a vincar, esta sexta-feira à noite, a sua oposição irredutível à instalação da futura estação da linha ferroviária de Alta Velocidade no nó de Santo Ovídio. Em alternativa, o executivo autárquico exige a avaliação urgente de um traçado na zona plana de Mafamude e Vilar do Paraíso.
Em comunicado oficial, o município recorda que a objeção ao traçado projetado é conhecida desde novembro de 2025 e alerta para as consequências devastadoras do projeto na mobilidade urbana. Citado na nota, o presidente da câmara, Luís Filipe Menezes, adverte para o impacto de mais de cinco anos de constrangimentos rodoviários e para o tráfego diário de cerca de 200 camiões pesados de transporte de terras, um cenário que ameaça a viabilidade do comércio local e o acesso ao Hospital de Gaia.
Para a autarquia gaiense, "não é aceitável" que o investimento avance sem uma resposta técnica às objeções apresentadas. Luís Filipe Menezes sustenta que a obra no canal da TGV pode iniciar-se na próxima segunda-feira sem comprometer uma reavaliação da estação: "Ainda há tempo de transferir a estação para um sítio onde não é preciso desenterrar nada, um sítio plano, onde a cidade pode crescer com qualidade para sul."
Garantindo apoio total ao projeto da Alta Velocidade entre o Porto e Lisboa (com ligação futura a Vigo), o executivo municipal ressalva contudo que a adesão à infraestrutura "não constitui um cheque em branco" que penalize os cidadãos de Gaia e exige a elaboração imediata de um novo Estudo de Impacto Ambiental.