Lisboa, 07 out 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, anunciou esta quarta-feira que vai exigir o arranque imediato dos trabalhos e das audições na comissão parlamentar de inquérito ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, forçando a realização de reuniões durante a discussão do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Em conferência de imprensa na Assembleia da República, André Ventura assegurou que, assim que assumir a presidência da comissão potestativa após a sua constituição no próximo dia 14 de outubro, convocará de imediato os trabalhos, desafiando a orientação fixada pela Conferência de Líderes, que determinou a interrupção de audições até ao final das votações orçamentais em novembro.
O líder da oposição lançou um aviso direto ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco — a quem acusou de tentar blindar a tutela da Administração Interna —, garantindo não aceitar o teto informal de apenas duas comissões de inquérito em simultâneo: "O presidente da Assembleia decidirá se permite esse início ou não. Senão temos um conflito entre uma comissão de inquérito e o presidente da Assembleia da República."
Para fundamentar o braço de ferro, Ventura argumentou que o caráter potestativo do inquérito confere direitos regimentais que não dependem das maiorias parlamentares do PSD, PS e restantes forças. "Esta é uma vergonhosa proteção descarada do ministro Luís Neves", sustentou, invocando também as recentes declarações do Presidente da República, António José Seguro, sobre a necessidade de celeridade e eficácia nas apurações institucionais.
Na mesma intervenção, o presidente do Chega confirmou que a Convenção Nacional do seu partido ficará agendada para o fim de semana de 20 a 22 de novembro, sobrepondo-se parcialmente aos trabalhos de debate na especialidade do Orçamento do Estado.