A Misericórdia de Santo Tirso formalizou uma queixa no Ministério Público contra o ex-presidente da Câmara Municipal, Joaquim Couto, acusando-o de ter utilizado indevidamente a base de dados da instituição para fins eleitorais. A queixa, entrada na passada sexta-feira, incide sobre o uso de dados pessoais sem o devido consentimento, na sequência da transmissão de mensagens de propaganda para a lista que o antigo edil encabeça.
O alerta disparou a 23 de setembro, quando centenas de associados da organização – num total estimado de cerca de 800 pessoas – receberam nas suas caixas de correio eletrónico um folheto informativo sobre as propostas da candidatura de Joaquim Couto às eleições da administração, agendadas para o próximo mês de dezembro. Entre os destinatários da mensagem, enviada a partir de um endereço eletrónico criado para a campanha, encontrava-se o próprio vice-provedor da instituição, Ricardo Baptista, que confirmou ter sido abordado sem ter facultado os seus contactos para o efeito.
Apesar de a direção salientar que qualquer irmão no gozo dos seus direitos tem a legitimidade de se candidatar aos órgãos sociais, a liderança da instituição repudia expressamente a alegada violação do sistema de segurança informática e a apropriação indevida dos registos confidenciais da entidade. Na altura do incidente, o antigo autarca — que presidiu à Assembleia Geral da Misericórdia entre 2009 e 2023 — desvalorizou as acusações, enquadrando os contactos no decorrer normal do processo eleitoral. O Ministério Público vai agora analisar a legalidade do acesso e do tratamento efetuado a estes dados.
Fonte - Lusa