Lisboa, 05 out 2026 (Lusa) — O PCP reagiu esta segunda-feira aos resultados da primeira volta das eleições presidenciais no Brasil com duras acusações à administração norte-americana, denunciando uma campanha de "inaceitáveis pressões e ingerência" por parte de Washington para condicionar o futuro político e económico do país.
A tomada de posição surge no rescaldo do sufrágio deste domingo, no qual o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, alcançou 47,14% dos votos válidos, superando ligeiramente o atual Presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,03%. Os dois rivalizarão numa segunda volta decisiva agendada para o próximo dia 25 de outubro.
Em comunicado oficial, o Secretariado do Comité Central do PCP condenou abertamente a atuação da administração de Donald Trump, acusando os EUA de tentarem "submeter o Brasil aos seus interesses, dominar os seus imensos recursos" e impor um domínio "neocolonial" sobre a região. Para o partido liderado por Paulo Raimundo, o duelo das urnas representa um combate direto entre a soberania nacional e o "imperialismo": de um lado está o projeto progressista de Lula da Silva e, do outro, a "imposição de um projeto reacionário, golpista, fascizante" encabeçado por Flávio Bolsonaro.
Apesar da vantagem tangível conquistada pela candidatura do Partido Liberal na primeira volta, o PCP manifestou inteira confiança na capacidade de mobilização das forças democráticas brasileiras para inverter o cenário no final do mês, apelando à convergência em torno da candidatura do atual chefe de Estado no dia 25 de outubro.