Lisboa, 28 set 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta segunda-feira a definição urgente de uma estratégia de médio e longo prazo para orientar o turismo em Portugal rumo a uma "nova etapa", marcada pela coesão territorial, sustentabilidade e valorização dos rendimentos dos trabalhadores do setor.
No encerramento da 8.ª Cimeira do Turismo Português, a decorrer num hotel em Lisboa, o Chefe de Estado reconheceu o contributo histórico do setor para o dinamismo da economia nacional, mas alertou para a necessidade imperiosa de corrigir os impactos negativos decorrentes do excesso de concentração turística. "Quando a concentração ultrapassa a capacidade de resposta dos territórios, das infraestruturas e dos serviços, surgem problemas que não podem ser ignorados", afirmou o Chefe de Estado, apontando os constrangimentos crescentes na habitação, na mobilidade urbana e na pressão sobre os serviços públicos.
Para responder aos desafios das próximas duas décadas, António José Seguro defendeu um modelo de desenvolvimento equilibrado que não se limite à métrica do crescimento quantitativo, mas que garanta emprego de qualidade, atração de investimento e preservação do património cultural e ambiental. Nesse sentido, enquadrou as grandes decisões infraestruturais do país — designadamente a localização do novo aeroporto de Lisboa e a reestruturação da TAP — como escolhas estratégicas fundamentais que exigem planeamento rigoroso e visão de futuro, recusando que sejam tratadas "em função de necessidades imediatas ou de encaixes financeiros".
O Presidente da República concluiu a sua intervenção reafirmando que a verdadeira ambição para o turismo português passa por assegurar um setor capaz de gerar riqueza e coesão social, tornando-se "motivo de orgulho para quem nos visita, mas também para quem cá vive e trabalha".