Nações Unidas, Nova Iorque, 22 set 2026 (Lusa) — Numa reviravolta diplomática ao seu estilo, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou esta terça-feira ter mantido uma reunião "muito boa" com representantes do Irão em Nova Iorque, escassas horas depois de ter ameaçado publicamente "aniquilar" a República Islâmica a partir da tribuna da Assembleia-Geral da ONU.
O anúncio foi feito pelo próprio chefe de Estado norte-americano durante uma conferência de imprensa ao lado do homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky. Sem adiantar a identidade dos interlocutores iranianos, Trump adiantou que a sessão de trabalho se prolongou por cerca de três horas e confirmou que as duas partes já estão a agendar um novo encontro para um "futuro muito próximo".
O tom conciliador do encontro privado contrapõe-se à retórica agressiva empregue por Trump no púlpito da ONU, onde afirmou abertamente que a Casa Branca se encontrava perante o dilema de optar entre a "aniquilação" militar de Teerão ou a celebração de um entendimento. A comitiva negocial de Washington integrou o enviado especial Steve Witkoff — que se declarou "muito satisfeito" com o progresso das conversas — e Jared Kushner, figura central nos contactos prévios com o regime iraniano.
O reatar do canal diplomático ocorre num momento de forte tensão no Médio Oriente. Após a rutura do memorando de entendimento assinado em junho — que previa o fim do bloqueio naval norte-americano e a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz —, os dois países reativaram cercos marítimos e Washington intensificou a "guerra económica" através de novas sanções. Apesar do clima de hostilidade, a administração americana sinaliza agora a expectativa de alcançar um acordo definitivo após as eleições intercalares para o Congresso, agendadas para novembro.