Lisboa, 09 set 2026 (Lusa) — A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, assegurou esta quarta-feira no parlamento que "ninguém mentiu" no processo respeitante ao orçamento de 144 mil euros para a destruição de produtos químicos apreendidos no âmbito da operação Pacoba. A governante falava perante os deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa audição requerida pela bancada do Chega.
A polémica decorre de contradições aparentes entre os dados avançados na semana passada pelo Ministério da Justiça — que apontavam para um orçamento cobrindo múltiplos processos — e as declarações prestadas em julho pelo ex-diretor da Polícia Judiciária e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves. Na altura, Luís Neves justificou a transferência do atrelado com materiais apreendidos para as instalações da empresa Construbarcelos com base nessa operação em concreto.
Durante a audição, Rita Alarcão Júdice explicou ter sido induzida em erro por dados facultados pelos próprios serviços da PJ, adiantando que a verba em causa afinal se refere apenas à operação Pacoba, ainda que abranja um volume de material superior ao contido na galera apreendida. Perante as discrepâncias, a titular da pasta da Justiça confirmou ter ordenado ao atual diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, que assuma a responsabilidade de esclarecer rigorosamente o circuito de informação.
O caso do atrelado guardado por um empresário amigo de Luís Neves — que somou empreitadas de obras públicas na PJ e realizou trabalhos privados para o governante — está sob investigação criminal por parte do Ministério Público. Adicionalmente, a atividade da Polícia Judiciária durante a gestão do atual ministro da Administração Interna é objeto de uma auditoria interna e de um inquérito promovido pela Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça, cujos resultados deverão ser conhecidos até ao final do ano.