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EUA travam urgência eleitoral na Venezuela enquanto garantem controlo sobre o petróleo
Donald Trump afiança que o país sul-americano “ainda não está preparado” para ir a votos, numa altura em que Washington consolida o domínio sobre um quinto do crude venezuelano e prepara novas rondas de negociação.
Por Redação
Publicado em 02/09/2026 21:32
International
@Lusa

Washington, 02 set 2026 (Lusa) — Nove meses após a operação militar das forças norte-americanas que culminou na captura de Nicolás Maduro, a Casa Branca veio refrear as expetativas de uma consulta popular a curto prazo na Venezuela. Falando a partir de Washington, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o país transandino “ainda não está preparado” para realizar eleições. Reconhecendo o trabalho da Presidente interina, Delcy Rodríguez, Trump sublinhou que a transição política exige prudência, dado que “tudo isto é muito recente”.

Apesar do adiamento do processo eleitoral, os passos para a reestruturação política continuam em marcha. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que a segunda ronda de negociações entre o Governo interino e a oposição venezuelana vai arrancar dentro de cerca de dez dias, sob facilitação direta de Washington. Rubio garantiu que a transição democrática no continente será substancialmente mais rápida do que a registada na Europa do Leste nos anos 90, embora lembrando que um processo democrático vai muito além do simples ato de votar.

Paralelamente às negociações políticas, a presença dos Estados Unidos em Caracas consolida-se através do setor energético. O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, marcou presença na capital venezuelana para fechar os detalhes de um acordo bilateral histórico. O entendimento garante a uma empresa de capital misto — partilhada entre a North American Blue Energy Partners e o Governo dos EUA — o acesso à exploração de 20% das reservas provadas do país.

Rubio assumiu abertamente o valor geoestratégico do pacto, destacando que a prioridade de Washington passa por assegurar a liderança sobre a maior reserva de crude do continente, afastando a influência de potências rivalizantes como a China, a Rússia e o Irão.

Do lado venezuelano, a líder interina Delcy Rodríguez celebrou publicamente a assinatura dos novos contratos com gigantes energéticos como a Chevron e a Eni, manifestando abertura para aprofundar o diálogo diplomático com a Casa Branca. Apesar de a aproximação a Washington continuar a gerar protestos por parte dos setores mais fiéis ao antigo regime chavista, Rodríguez expressou o desejo de que esta cooperação traga benefícios mútuos e contribua para o equilíbrio do mercado energético internacional.

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