A pressão no mercado imobiliário em Portugal não dá tréguas e prepara-se para voltar a agravar-se. Tendo em conta a estimativa da inflação de agosto fixada nos 2,56% — indicador que serve de referência para a atualização anual do valor das habitações —, as rendas das casas deverão sofrer um novo agravamento no próximo ano.
Na prática, o impacto financeiro traduzir-se-á num aumento proporcional ao valor atual da prestação mensal:
Renda de 500 €: subida superior a 13 €/mês
Renda de 700 €: subida superior a 18 €/mês
Renda de 1.000 €: subida superior a 26 €/mês
Renda de 1.500 €: subida de quase 40 €/mês
A dimensão deste problema ultrapassou a esfera dos grupos tradicionalmente mais vulneráveis. Segundo o movimento Porta à Porta, a escalada de preços deixou de afetar apenas os jovens em início de vida ativa ou os idosos com reformas reduzidas, atingindo de forma direta a população trabalhadora e a classe média, cujos rendimentos mensais deixaram de ser suficientes para suportar os custos de habitação.
Perante este cenário, plataformas e movimentos de apoio ao cidadão, como a Casa para Viver, apelam a uma intervenção direta do Governo através de uma carta aberta enviada ao Ministro da Habitação, exigindo medidas urgentes que travem a especulação e salvaguardem o direito fundamental à habitação.
Fonte - Lusa