O ensino superior portuense voltou a revelar uma forte procura na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior. Mais de oito mil estudantes conseguiram colocação nas duas instituições públicas da cidade, que registaram algumas das taxas de preenchimento mais elevadas a nível nacional.
A Universidade do Porto (U.Porto) alcançou uma taxa de ocupação de 99,1%, liderando o ranking nacional entre as universidades. No total, ficaram por preencher apenas 53 vagas, distribuídas por cinco licenciaturas.
Entre os cursos com maior procura destaca-se, pelo terceiro ano consecutivo, a Engenharia Aeroespacial, da Faculdade de Engenharia da U.Porto. As 30 vagas foram preenchidas e o último estudante colocado entrou com uma média de 19,5 valores, a classificação mais elevada entre todos os cursos do país.
Também se destacaram o Mestrado Integrado em Medicina, com 18,7 valores, e a licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial, igualmente com 18,7.
A U.Porto mantém ainda a média de entrada mais elevada entre as universidades públicas portuguesas, fixada em 16,3 valores.
Na Universidade Técnica do Porto, antiga designação do Instituto Politécnico do Porto, a procura foi igualmente elevada. A instituição conseguiu preencher 100% das vagas disponíveis, com a licenciatura em Gestão Industrial a apresentar a média de entrada mais alta, de 18,1 valores, seguida de Gestão, com 17,8.
Os resultados são encarados pelo Município como um reflexo da qualidade e capacidade de atração das instituições de ensino superior da cidade. O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considera que estes estabelecimentos são essenciais para captar talento e defende a necessidade de criar melhores oportunidades profissionais para os jovens que estudam na cidade.
O autarca destacou ainda iniciativas de ligação entre a academia e o tecido empresarial, como o projeto PITCH e o futuro Distrito Empresarial e Económico do Porto, apontados como instrumentos para estimular a inovação e a criação de empresas de base tecnológica.
Outro dos desafios identificados prende-se com o alojamento estudantil. Apesar do crescimento da oferta de residências universitárias, o Município reconhece que os preços praticados pelo setor privado continuam difíceis de suportar para muitas famílias.
Perante a elevada procura e o número de estudantes que frequentam o ensino superior no Porto, Pedro Duarte defende também uma maior articulação com os municípios vizinhos, de forma a aumentar a oferta de alojamento e criar alternativas para os estudantes fora do centro da cidade.
Os resultados da primeira fase confirmam, assim, o peso do Porto no panorama nacional do ensino superior, com instituições muito procuradas e cursos que continuam a atrair estudantes com classificações de acesso particularmente elevadas.