Kiev, 23 ago 2026 (Lusa) — O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou este domingo a sua firme oposição à realização de eleições na Ucrânia enquanto o país se encontrar sob a lei marcial e sem que esteja garantido um cessar-fogo com a Rússia.
As declarações surgem em resposta direta à polémica gerada pelo ex-ministro da Defesa, Mikhaïlo Fedorov — demitido no passado mês de julho —, que divulgou um vídeo a exigir a restauração do processo democrático através de um escrutínio eleitoral. Na conferência de imprensa dada em Kiev, Zelensky classificou a ideia de realizar votações no atual contexto como um "tsunami" capaz de dividir a sociedade ucraniana e enfraquecer o esforço de guerra, sublinhando que "é impossível" avançar para as urnas enquanto Vladimir Putin recusa ponderar opções de paz.
O mandato presidencial de Zelensky terminou formalmente em maio de 2024, mas a legislação ucraniana proíbe a realização de atos eleitorais durante a vigência da lei marcial, decretada após a invasão russa de fevereiro de 2022. Os dados mais recentes do Instituto de Sociologia de Kiev indicam que apenas 15% dos cidadãos defendem eleições antes do fim do conflito, mas as recentes mexidas governamentais e na liderança militar desencadearam protestos em várias cidades. Em resposta, o chefe de Estado defendeu o direito à manifestação, alertando contudo para o risco de criar clivagens entre os civis e os soldados que combatem na linha da frente.