A escassas horas do raro e aguardado eclipse solar — que atingirá o seu ponto alto em Portugal ao final da tarde de hoje, entre as 18h00 e as 20h00 —, o país vive um clima de forte descontentamento e revolta popular. Com as farmácias, óticas e plataformas de venda com stock totalmente esgotado e a retirar vários modelos perigosos do mercado, milhares de portugueses enfrentam o fenómeno sem qualquer forma segura de o observar.
Desde Óticas a farmácias e nas redes sociais, multiplicam-se as queixas dos cidadãos, que acusam o Governo, o Ministério da Saúde e as Câmaras Municipais de desleixo total e falta de planeamento em matéria de saúde pública.
Do futebol ao eclipse: As duras críticas dos portugueses
A principal contestação da população incide na diferença de prioridades e no contraste direto com a organização de outros eventos de grande dimensão:
Ecrãs gigantes versus Óculos de Proteção: A comparação com os campeonatos de futebol é o argumento mais repetido pelos cidadãos. "Para os jogos de futebol do Europeu ou do Mundial, as câmaras municipais gastam milhares de euros a instalar ecrãs gigantes, palcos e zonas de adeptos em quase todas as praças do país. Mas hoje, num evento único e com risco real de cegueira e lesões oculares graves, nem o Estado nem os municípios investiram para distribuir óculos ou garantir pelo menos um par por família", lamentam vários populares.
O contraste com eclipses passados: Muitos recordam que em eventos astronómicos anteriores (como o eclipse de 1999), houve campanhas de sensibilização nas escolas e distribuição gratuita de proteção à população. Desta vez, a iniciativa pública reduziu-se a ações pontuais de entidades científicas cujo stock reduzido esgotou em poucas horas, deixando a grande maioria do país desprotegida.
Ameaça de sobrecarga no SNS: Profissionais de saúde e utentes alertam para as consequências desta falha de prevenção no Serviço Nacional de Saúde. Sem acesso a óculos certificados, receia-se uma vaga de urgências oftalmológicas nos hospitais após as 20h00, provocada pela utilização de métodos caseiros e improvisados.
Sete modelos retirados de circulação por risco de lesões na retina
A agravar a escassez, a Rede de Alerta de Consumo ordenou a recolha e proibição de comercialização de sete modelos de óculos no mercado ibérico. O problema destes produtos reside nas suas lentes excessivamente escuras: o utilizador vê apenas escuridão total e, na tentativa de localizar o Sol, retira os óculos por uns instantes — momento em que a radiação solar queima de forma irreversível as células da retina.
Verifique se tem algum destes modelos proibidos:
Lionstar (Modelo LSP1)
ECP Eye Care Professional
Pelispan
Homanaje (Modelo QW-50Z1)
Orro (Modelo O37-R, lote 2603-01)
Opticalia (Referência GP0247)
Mó / Multiópticas (Modelo 2508-RS003)
Alerta de Saúde Visual: O que NUNCA deve fazer esta tarde
Face ao risco iminente de retinopatia solar (queimaduras na retina que não provocam dor imediata, mas sim perda de visão horas mais tarde), a DGS e a Ordem dos Médicos reforçam os avisos para o intervalo das 18h00 às 20h00:
PROIBIDO olhar a olho nu: Mesmo por escassos segundos, olhar diretamente para o Sol causa danos permanentes na visão central.
NÃO use métodos caseiros: Óculos de sol convencionais (mesmo muito escuros ou sobrepostos), radiografias, vidros fumados ou negativos fotográficos não protegem contra os raios UV e infravermelhos.
CUIDADO com telemóveis e câmaras: Olhar para o Sol através do ecrã do telemóvel, binóculos, telescópios ou câmaras sem filtro solar específico instalado na frente da lente é extremamente perigoso e pode cegar instantaneamente.
Utilize a projeção indireta: Se não tem óculos certificados com a norma ISO 12312-2, observe o eclipse indiretamente (por exemplo, fazendo um pequeno furo num papelão e projetando a sombra do Sol no chão ou numa parede branca) ou através das transmissões televisivas.
Em caso de sintoma, ligue para o SNS24 (808 24 24 24): Se sentir visão turva, manchas escuras ou perda de acuidade visual após o evento, procure assistência médica imediata.