Matosinhos, Porto, 01 ago 2026 (Lusa) — Maria Faria nasceu em Barcelos há 25 anos e é bombeira pronta em Leça do Balio, Matosinhos, desde o ano passado, onde encontrou o propósito de vida através do serviço comunitário. A jovem, mestre em Filosofia, Política e Economia pela Universidade do Porto, foi agora selecionada para representar Portugal na AFS Youth Assembly, uma conferência internacional que reúne jovens líderes de cerca de 100 países em Genebra, na Suíça, entre 09 e 15 de agosto.
A motivação para ingressar no corpo de bombeiros surgiu após ver o exemplo de operacionais em missões de ajuda humanitária. Paralelamente, a sua experiência nas emergências médicas levou-a a cruzar a operacionalidade com a investigação académica. Ao socorrer uma jovem de 16 anos que usava o mesmo tampão há mais de 24 horas por falta de informação, Maria Faria percebeu a dimensão do défice educativo e social em torno da saúde feminina, o que a levou a realizar uma tese sobre a incidência e as estratégias de mitigação da pobreza menstrual.
O estudo, realizado com 411 estudantes da Universidade do Porto, revelou estatísticas alarmantes: 12,9% das inquiridas já faltaram às aulas por falta de pensos ou tampões, 17,4% recorreram a alternativas inadequadas como papel higiénico ou panos por limitações financeiras e 56,1% afirmaram que a falta destes produtos afetou o seu bem-estar físico ou emocional. Para a investigadora, a realidade evidencia uma lacuna grave na disciplina de Cidadania no ensino básico e secundário, perpetuando o estigma sobre um tema natural em pleno ano de 2026.
Além do ativismo no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a jovem combina a sua formação em Comunicação Social com o voluntariado no projeto Farda que Fala. Na coordenação de comunicação desta iniciativa, Maria Faria produz conteúdos e reportagens sobre corporações de todo o país, trabalhando para combater o esquecimento a que os bombeiros são votados fora da época crítica de incêndios florestais.