Lisboa, 01 ago 2026 (Lusa) — A Polícia Marítima e a Marinha Portuguesa, numa operação conjunta com a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR, reforçaram substancialmente a vigilância na costa algarvia através de patrulhas diárias por mar e por terra.
O objetivo prioritário passa por identificar precocemente embarcações afetas ao tráfico de seres humanos, migração irregular ou outras redes criminosas. Perante o cenário de risco, as autoridades apelam também ao envolvimento dos cidadãos, pedindo que qualquer atividade ou movimentação suspeita seja comunicada de imediato às forças de autoridade locais ou ao Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa.
A intensificação do dispositivo de segurança surge na sequência da grave crise migratória desencadeada em Ceuta, o enclave espanhol no norte de África. Confrontado com a situação, o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, rejeitou categoricamente a suspensão do espaço Schengen em Portugal, defendendo que a prioridade assenta na aplicação rigorosa do Pacto Europeu para as Migrações e Asilo e no reforço efetivo do controlo das fronteiras marítimas e terrestres.
A urgência do reforço em Portugal justifica-se pela dimensão dos acontecimentos em Ceuta, onde a cidade espanhola enfrentou uma vaga migratória sem precedentes vinda de Marrocos, com as autoridades locais a estimarem a entrada de cerca de 60 mil pessoas num curto espaço de tempo. Embora dezenas de milhares de migrantes já tenham regressado a território marroquino, a travessia a nado do estreito de Gibraltar já custou a vida a pelo menos 57 pessoas, sublinhando o dramático desespero na região.