As contas da Administração Central e da Segurança Social voltaram a terreno negativo na primeira metade do ano. O Estado português fechou o mês de junho com um défice de 213 milhões de euros, confirmando uma trajetória de deterioração face ao saldo positivo que se registava no início do exercício orçamental.
A inversão do saldo orçamental — que passa de uma situação de excedente para terreno negativo — reflete o forte crescimento da despesa pública, impulsionado pelas atualizações salariais na função pública, pela subida das prestações sociais e pelo impacto de novos apoios às famílias e empresas. Em contrapartida, a receita fiscal acumulada até junho demonstrou um crescimento mais moderado do que o antecipado, desacelerando a folga financeira que o Governo vinha a gerir.
Fatores de Pressão
De acordo com os dados da execução orçamental, o desequilíbrio entre receitas e despesas acentuou-se particularmente no segundo trimestre. Entre os principais fatores apontados para este desempenho estão:
Aumento com Custos de Pessoal: Revisões de carreiras e atualizações de vencimentos no setor público.
Investimento e Apoios: Execução de investimentos estruturais e apoios ao rendimento num contexto de desaceleração económica global.
Comportamento da Receita: Arrecadação de impostos diretos e indiretos abaixo do ritmo necessário para compensar o ritmo da despesa.
Esta passagem ao vermelho coloca acrescida pressão sobre as metas financeiras estabelecidas pelo Ministério das Finanças para o Orçamento do Estado para 2026. Com a segunda metade do ano pela frente, a evolução do mercado de trabalho e o ritmo de execução dos fundos europeus serão determinantes para perceber se a execução orçamental conseguirá aproximar-se da meta de equilíbrio pretendida pelo Executivo.
Fonte-Lusa