A entrada inesperada e massiva de dezenas de milhares de migrantes no enclave espanhol de Ceuta levou o Chega a propor esta sexta-feira a reposição imediata dos controlos na fronteira entre Portugal e Espanha, acompanhada da suspensão temporária da adesão nacional ao Tratado de Schengen.
Segundo os dados avançados pelas forças policiais espanholas e por agências de notícias locais, estima-se que entre 40 mil a 49 mil pessoas oriundas de Marrocos tenham cruzado ilegalmente a fronteira em poucas horas, ultrapassando por completo o dispositivo de segurança no local. A situação levou Madrid a mobilizar as Forças Armadas para reforçar a proteção do enclave norte-africano.
Em reação aos acontecimentos, a bancada parlamentar do Chega anunciou a apresentação de uma iniciativa legislativa urgente. O partido argumenta que o país necessita de reassumir a soberania sobre os seus limites territoriais para salvaguardar a segurança interna perante o que descreve como uma "verdadeira invasão migratória".
André Ventura encetou ainda contactos com vários líderes da direita europeia — nomeadamente das famílias políticas Patriots e ECR — no sentido de articular uma posição conjunta que leve outros Estados-Membros a ponderar o encerramento das suas fronteiras com o território espanhol.
Apesar do forte contingente militar no local e do envio do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, à região, parte dos migrantes já começou a fazer o caminho inverso de regresso a Marrocos, num momento em que ambos os países tentam conter a crise e atribuem a responsabilidade do fluxo a redes organizadas de tráfico humano.
Fonte - Lusa /CNN Portugal