O Diretor Nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, emitiu um comunicado de imprensa para prestar esclarecimentos exaustivos e afastar categoricamente qualquer suspeição ou irregularidade em torno da sua conduta pessoal e de atos de gestão na instituição. O responsável assegurou que não considera grave a investigação em curso por parte do Ministério Público por saber que "não há qualquer indício de crime", garantindo estar inteiramente tranquilo e motivado para continuar no cargo.
Património Pessoal, Escrituras e Pagamentos
Em resposta às notícias e questões colocadas sobre a sua residência, Luís Neves reiterou que "nenhum terreno foi comprado a preço de saldo", anunciando que toda a documentação, incluindo as escrituras dos imóveis e comprovativos das imobiliárias foi a preço do mercado.
O diretor adiantou que o imóvel foi adquirido pelo valor fixado no pedido de venda e revelou que "95% do valor das obras foi pago através do cartão de multibanco" pessoal. Relativamente aos restantes custos, esclareceu que a sua mulher realizou apenas pagamentos pontuais em dinheiro para cobrir despesas da obra, num montante total de 5.000 € entregues de forma faseada. Acrescentou ainda que a empresa da esposa serve exclusivamente para a gestão de um alojamento local, com contas totalmente públicas.
No que toca às intervenções na habitação, especificou que não foram alteradas paredes mestres e que a transformação de um antigo tanque numa piscina — por ser de reduzido impacto — será devidamente regularizada junto da Câmara Municipal de Odemira.
Investigação do MP, "Caso do Atrelado" e Poupança ao Estado
Confrontado com a investigação do Ministério Público, Luís Neves desdramatizou o cenário e afirmou não ver qualquer motivo para vir a ser constituído arguido. Relativamente ao episódio do atrelado/armazém cravado ao empresário João Carvalho para guardar material apreendido, o diretor defendeu categoricamente a opção tomada.
Conforme explicou, a PJ não dispunha de capacidade de armazenamento na altura, por ter as suas instalações ocupadas com grandes apreensões de tabaco e azeite contrafeito. A cedência do espaço pelo empresário permitiu resolver um problema logístico urgente sem qualquer encargo financeiro para o Estado.
"Esta decisão poupou dinheiro ao Estado e foi acompanhada por outros colegas da Judiciária. Ultrapassámos a questão de ter de procurar e pagar um armazém. Não há problema nenhum: se hoje me fosse colocada a mesma questão, tomava exatamente a mesma decisão", declarou.
Questionado também sobre os custos elevados associados à destruição de produtos químicos apreendidos, o responsável justificou que a despesa se deveu à enorme quantidade do material envolvido e à escassez de operadores no mercado nacional — tendo sido necessário recorrer a uma empresa no Norte especializada nesse tipo de tratamento.
Relação com Empreiteiro e Regras de Contratação
Luís Neves voltou a negar qualquer favorecimento ao empresário João Carvalho ou à empresa Constru Barcelos. O responsável sublinhou que a PJ cumpre rigorosamente as regras de contrratação pública e que, quando conheceu a referida empresa, esta já somava 11 contratos celebrados com o Estado.
Entre 2019 e 2025, os contratos da empresa com a PJ representaram cerca de 8% do total de empreitadas da instituição. Após o conhecimento pessoal do empresário, a quota desceu para 4%, referente a processos que já se encontravam em curso.
Apoio Político e Continuidade na PJ
Apesar da exposição mediática dos últimos dias, Luís Neves garantiu sentir-se plenamente respaldado para prosseguir com o seu mandato.
"Sinto-me apoiado pelo Primeiro-Ministro e por todos. Estarei sempre disponível para responder", afirmou, expressando ainda o agradecimento pelas "várias mensagens de apoio" recebidas da parte dos colegas de trabalho. O diretor concluiu com uma garantia sobre o seu futuro: "Sinto-me muito motivado para continuar o meu trabalho. Se sentisse o mínimo de intranquilidade, eu era o primeiro a tomar a decisão de sair."
Fonte - Comunicado imprensa