Paraty, Brasil, 22 jul 2026 (Lusa) — A literatura de língua portuguesa e a reflexão sobre o espaço urbano ganham um destaque inédito na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que arranca esta quarta-feira no Brasil. O certame, que decorre até 26 de julho, homenageia a poetisa brasileira Orides Fontela e junta figuras incontornáveis das letras mundiais, como José Tolentino Mendonça, Zadie Smith, Kamel Daoud, Djaimilia Pereira de Almeida e Ana Paula Tavares.
Um dos pilares da presença nacional é o espaço “Casa de Portugal: Viagens Literárias”, com curadoria do escritor José Luís Peixoto e de Mar Becker. A iniciativa acolhe 15 mesas de debate com autores de Portugal, Brasil, Angola e Guiné-Bissau, promovendo um percurso amplo pelas geografias da lusofonia.
A edição de 2026 fica também marcada pela estreia da Casa da Arquitetura — Centro Português de Arquitetura com uma agenda própria no programa paralelo FLIP+. A instituição sediada em Matosinhos promove mais de uma dezena e meia de painéis focados no cruzamento entre criação literária, urbanismo, património e sustentabilidade.
A abertura deste ciclo junta o escritor Valter Hugo Mãe e a romancista brasileira Carla Madeira para uma reflexão sobre a memória e a condição humana. A agenda estende-se ainda a debates de cariz político e territorial:
Sustentabilidade e Cidade: Debates com o arquiteto paraguaio Solano Benítez (Leão de Ouro na Bienal de Veneza), a arquiteta Inês Lobo e governantes como a ministra portuguesa do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e o secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado.
Dimensão Editorial: Lançamento de três edições com o selo da Casa da Arquitetura, destacando-se a obra Lucio Costa Arquivo, desenvolvida a partir do espólio do célebre urbanista brasileiro depositado em Portugal.
Utopias e Futuro: Painel dinamizado pelo Pelouro da Cultura da Câmara do Porto, moderado pelo vereador Jorge Sobrado, dedicado aos desafios da escrita perante o século XXI.