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Fraudes digitais e drogas financiam “economia criminosa multinacional” na Ásia – ONU
Relatório do UNODC alerta para um império do crime interconectado que movimenta mais de 100 mil milhões de dólares anuais, recorrendo a IA, deepfakes e trabalho forçado.
Por Redação
Publicado em 22/07/2026 06:24
International
@Lusa

Macau, China, 22 jul 2026 (Lusa) — O crime organizado no Sudeste Asiático consolidou-se como uma autêntica "economia multinacional", com um nível de sofisticação capaz de ameaçar a soberania de vários Estados. As perdas globais geradas por burlas digitais oriundas da região já ultrapassam os 100 mil milhões de dólares (cerca de 91 mil milhões de euros) por ano, adverte o mais recente estudo do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC).

"Estamos a assistir a uma mudança em que grupos que antes atuavam apenas nos seus territórios e especialidades criminais operam agora em múltiplos mercados ilícitos ao mesmo tempo, recorrendo às mesmas cadeias de serviços", alertou a representante regional do UNODC, Delphine Schantz.

O documento, intitulado Um Ecossistema Criminal Interconectado: Avaliação da Ameaça do Crime Organizado Transnacional no Sudeste Asiático 2026, detalha a transição do tráfico tradicional de mercadorias físicas para a oferta de serviços digitais ilícitos. Burlas informáticas sofisticadas e esquemas de branqueamento de capitais em plataformas virtuais tornaram-se o motor financeiro destas redes.

Esta expansão assenta em graves violações dos direitos humanos, nomeadamente no tráfico de pessoas forçadas a trabalhar em autênticos complexos de fraude online. O UNODC identificou vítimas provenientes de pelo menos 80 países, com as redes de angariação a estenderem já a sua teia à Europa e à América do Norte.

Paralelamente, as rotas tradicionais mantêm uma escala impressionante:

Triângulo Dourado: Continua a liderar a produção de metanfetaminas, cetamina e heroína, num mercado avaliado entre 75 e 109,7 mil milhões de dólares;

Triângulo Sulu-Celebes: Afirma-se como uma rota marítima crítica para o contrabando de tecnologia e equipamentos destinados às operações de cibercrime.

A investigação do organismo internacional salienta a utilização crescente de tecnologias emergentes para maximizar os lucros ilícitos. O recurso a Inteligência Artificial generativa, criação de deepfakes e esquemas de malvertising (que infetam redes publicitárias legítimas com software malicioso) passou a ser a norma nestas operações.

O UNODC alerta ainda para a convergência perigosa entre videojogos digitais e apostas ilegais, um fenómeno que deixa a população jovem numa posição de extrema vulnerabilidade.

Perante o cenário, a agência da ONU defende uma mudança radical na resposta das autoridades mundiais. Para Delphine Schantz, as estratégias fintas na mera apreensão de bens estão ultrapassadas, sendo urgente focar a ação no estrangulamento dos fluxos financeiros e na neutralização dos motores operacionais destas organizações.

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