Otava, 21 jul 2026 (Lusa) — O chefe do Governo canadiano, Mark Carney, reagiu esta segunda-feira ao endurecimento do protecionismo dos Estados Unidos, manifestando total disponibilidade para aprofundar as conversações comerciais com Washington. A tomada de posição surge na sequência da decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de aplicar agravamentos alfandegários da ordem dos 50% à produção do país vizinho.
Em declarações públicas, o chefe do executivo de Otava condenou a retaliação unilateral da administração norte-americana, frisando que a medida viola de forma inequívoca o enquadramento do Acordo Canadá-Estados Unidos-México (ACEUM).
“Trata-se da última de uma série de medidas comerciais unilaterais iniciadas pelos Estados Unidos através da imposição de uma série de direitos aduaneiros”, denunciou Mark Carney, garantindo que o Canadá já apresentou propostas concretas para superar o diferendo e está pronto para "acelerar essas discussões".
A nova vaga de penalizações foi oficializada através da assinatura de três decretos assinados por Donald Trump, sustentados na legislação comercial norte-americana de 1930. A Casa Branca fundamenta o castigo com alegadas práticas discriminatórias de Otava em relação a produtos norte-americanos, designadamente no setor automóvel, na indústria de laticínios e no comércio de bebidas alcoólicas.
As novas taxas entram em vigor dentro de 30 dias e cobrem uma panóplia diversificada de bens — desde materiais de construção como cimento até artigos desportivos e vinhos —, deixando de fora apenas recursos estratégicos como a energia, o potássio, o pescado e os minerais críticos.
Fontes do Governo norte-americano justificam o agravamento com o facto de o Canadá ter sido dos raros parceiros globais a aplicar contra-medidas às restrições originais da Casa Branca, inicialmente impostas sob o pretexto do combate ao tráfico de fentanil.
O braço de ferro entre Carney e Trump arrasta-se desde o início do ano, marcado por trocas de acusações em fóruns internacionais sobre o uso da força económica contra parceiros comerciais. A juntar à escalada pautal, a Casa Branca mandatou ainda os seus conselheiros para estudarem sanções adicionais associadas ao impacto ambiental e à qualidade do ar causados pelos incêndios florestais no território canadiano.
Esta nova escalada nas barreiras alfandegárias ocorre num ambiente financeiro global sensível, em que o ressurgimento de pressões inflacionistas nos Estados Unidos — alimentado pelas tarifas e pela perturbação nos preços da energia decorrente da crise no Médio Oriente — coloca em causa a promessa eleitoral de Washington de contenção do custo de vida.