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Exames: Processo está “fragilizado” e funcionários não são obrigados a trabalhar – Fenprof
Sindicato denuncia "improvisação" do Governo, alerta para milhares de notas suspensas e lembra que escolas não têm de fazer horas extraordinárias no fim de semana.
Por Redação
Publicado em 18/07/2026 12:13
Nacional
@Lusa

Lisboa, 18 jul 2026 (Lusa) — A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançou duras críticas à gestão dos exames nacionais, alertando que a fiabilidade de todo o processo está em risco. O sindicato fez questão de lembrar que o pessoal não docente e os docentes não têm qualquer obrigação legal de trabalhar em horários noturnos ou durante o fim de semana para corrigir os atrasos da tutela.

Em comunicado, a estrutura sindical reagiu com indignação às declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que ameaçou responsabilizar os diretores escolares caso as pautas não fossem afixadas a tempo devido ao encerramento dos estabelecimentos. Para a Fenprof, a postura do governante constitui uma exigência desmedida, uma vez que o ministério distribui elogios públicos aos professores mas, de seguida, exige sacrifícios a quem assegura o funcionamento das secretarias e a publicação dos resultados, sem acautelar os devidos trâmites legais de convocação.

Embora as notas do ensino secundário tenham acabado por ser divulgadas, o sindicato sublinha que o processo avançou à força apenas para cumprir calendário, deixando milhares de classificações num estatuto "suspenso". A Fenprof elogiou o brio e a abnegação dos professores corretores — que diz terem sido desrespeitados pela tutela —, mas avisou que a pressa governamental resultou em falhas graves que quebram o princípio da equidade e frustram as legítimas expectativas dos alunos e das suas famílias. O sindicato acusa ainda o ministro de sacudir a responsabilidade, culpando sucessivamente a resistência dos docentes, o Júri Nacional de Exames e os diretores pelos problemas técnicos da plataforma digital de correção.

Este ano letivo marcou a estreia da transição das correções dos exames dos 166 mil estudantes para o formato digital, uma mudança afetada por constantes avarias de sistema que forçaram o próprio ministério a derrogar os prazos inicialmente previstos. Face ao volume de notas congeladas, a Fenprof considera um erro avançar para a segunda fase dos exames como se nada tivesse aconteceu, exigindo soluções de exceção e questionando onde foram aplicados os milhões de euros anunciados para o pagamento de horas extraordinárias e combate à falta de professores.

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