Odemira, Beja, 14 jul 2026 (Lusa) — A Câmara Municipal de Odemira confirmou hoje que está a tentar apurar a legalidade das obras realizadas numa propriedade privada do ministro da Administração Interna, Luís Neves, localizada na freguesia de São Teotónio.
Em resposta escrita à agência Lusa, o município liderado por Hélder Guerreiro (PS) revelou que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras" para os prédios em causa. Perante as suspeitas de que possam ter sido realizadas intervenções urbanísticas à margem das regras, a autarquia garantiu que está a avançar com os procedimentos habituais para avaliar a conformidade da situação e que tratará o caso de acordo com os trâmites legais.
A polémica estalou após o semanário Nascer do Sol ter revelado que o ministro contratou para as obras da sua habitação pessoal a Construbarcelos, uma empresa de construção civil que arrecadou cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos com a Polícia Judiciária (PJ) no período em que Luís Neves liderava a instituição.
A pressão política local já se faz sentir. O vereador do Chega, Manuel Matias, enviou um requerimento urgente para convocar uma reunião extraordinária do executivo camarário. O autarca da oposição quer analisar o caso em detalhe e perceber se existem implicações diretas, contratos ou falhas administrativas que afetem o município de Odemira.
Em declarações à TVI/CNN, Luís Neves defendeu-se, assegurando estar de "consciência tranquila". O ministro explicou que conheceu o empreiteiro numa inauguração quando a empresa já trabalhava com a PJ há bastante tempo. Sobre a obra na sua casa — que estima custar entre 20 e 30 mil euros e que inclui a alteração de uma parede, uma casa de banho e um alpendre —, o governante rejeitou qualquer preço de favor e garantiu que irá apresentar todas as faturas detalhadas ao fisco assim que os trabalhos estiverem concluídos. Ainda assim, assumiu algum embaraço com o caso: "Sabendo o que sei hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente".