Lisboa, 08 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, lançou esta quarta-feira um forte aviso ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, exigindo a sua comparência no Parlamento até ao final da próxima semana para dar esclarecimentos sobre as falhas na classificação dos exames nacionais. Caso a audição seja empurrada para as férias, os comunistas prometem forçar um debate de urgência.
Falando aos jornalistas nos corredores da Assembleia da República, o líder do PCP criticou o facto de o governante ainda não ter fixado uma data para a audição parlamentar obrigatória (potestativa) já submetida pelo partido. Raimundo reconheceu que o ministro não tem uma data fixa por lei para responder ao chamado, mas sublinhou que o PCP não vai tolerar manobras de diversão que atirem as justificações para o final de julho ou para setembro. "Utilizaremos todos os meios que temos ao nosso dispor (…) se não for pela porta, é pela janela", atirou, vincando a pressa de garantir que nenhum estudante saia prejudicado no acesso ao ensino superior.
Se o Ministério da Educação continuar a "empurrar com a barriga para a frente", o PCP avança para o plano B: usar o seu direito de agendar um debate de urgência em plenário.
Confrontado com o facto de o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, ter rejeitado um pedido idêntico do Chega para o dia 15 de julho, Paulo Raimundo desvalorizou o precedente, explicando que o chumbo se deveu apenas à escolha de um dia sem trabalhos programados. Para contornar as regras regimentais, o líder comunista revelou a sua estratégia: em vez do dia 15, o PCP propõe encaixar o debate a 16 ou 17 de julho, as últimas datas antes do fecho do Parlamento para o verão. Como o dia 16 está reservado para o debate do Estado da Nação, Raimundo aponta a sexta-feira, 17 de julho — um dia inicialmente destinado apenas a votações —, como a janela perfeita para obrigar o Governo a prestar contas.