O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu publicamente que a falta de organização e o desordenamento do território florestal em Portugal foram fatores determinantes para a vasta área ardida no país recentemente. De acordo com declarações recolhidas pela agência Lusa, o governante sublinhou que há ainda um longo trabalho de reestruturação pela frente para mitigar o impacto dos fogos.
Em declarações prestadas aos jornalistas em Castro Verde, após uma reunião autárquica e uma visita institucional, o ministro relacionou diretamente a perda de mais de 15 mil hectares de floresta e mato nos últimos cinco dias com as debilidades estruturais que afetam a gestão das propriedades rurais.
Para além das condições meteorológicas, Luís Neves apontou o dedo às dificuldades burocráticas e legais associadas ao direito de propriedade privada, que muitas vezes impedem uma intervenção centralizada ou a correta limpeza dos terrenos. O titular da pasta da Administração Interna defendeu que o interesse coletivo e a segurança pública devem sobrepor-se em situações em que os proprietários são desconhecidos ou negligenciam os seus terrenos, colocando em risco as populações e a biodiversidade.
Os dados provisórios citados pela Lusa, provenientes do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), revelam um agravamento acentuado da situação, com a área ardida a duplicar num curto espaço de tempo, o que motivou o prolongamento do estado de alerta em vários distritos do continente.
Fonte - Lusa