MENU
PR diz que “algoritmo que decide sem explicar” é o novo Adamastor e alerta para o fantasma da IA
António José Seguro fecha prémio científico na Universidade do Porto e avisa que a democracia enfrenta um perigo sem precedentes se as decisões das máquinas se mantiverem numa "caixa negra".
Por Redação
Publicado em 06/07/2026 19:52
Nacional
@Lusa

Porto, 06 jul 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, lançou esta segunda-feira um forte aviso sobre o impacto da inteligência artificial (IA) sem regulamentação no ecossistema democrático. O chefe de Estado recorreu à metáfora literária para afirmar que o "algoritmo que decide sem explicar" se transformou no Adamastor da era moderna.

"O Adamastor de hoje não é o mesmo dos Lusíadas, de Camões. O Adamastor muda sempre de forma (...) nunca desaparece, mas tem sempre um nome diferente. Hoje chama-se opacidade, chama-se caixa negra, chama-se algoritmo que decide sem explicar", discursou José Seguro na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), durante o encerramento da 4.ª edição do prémio "Vencer o Adamastor", destinado a galardoar o talento de jovens cientistas.

O Chefe de Estado fez questão de clarificar que a sua intervenção não pretendia diabolizar o avanço tecnológico, mas sim sublinhar as barreiras éticas que a sociedade civil deve impor numa era em que os sistemas computacionais guiam escolhas que afetam o dia a dia dos cidadãos. "A democracia exige uma coisa muito simples, mas ao mesmo tempo muito difícil: que as decisões que afetam as pessoas possam ser compreendidas, contestadas e corrigidas pelas pessoas. Decisões controladas pelos seres humanos", defendeu.

O Presidente aproveitou o mote da tese vencedora do investigador Sérgio Jesus — focada precisamente na equidade e transparência da IA — para alertar para a diluição da responsabilidade civil quando os critérios matemáticos operam sob segredo. "O risco maior não é a IA que decide mal, é a IA que decide mal e parece que decide bem", disparou António José Seguro, concluindo que o livre arbítrio e a deliberação democrática correm um sério risco de colapso se o avanço da inteligência artificial continuar a fazer-se sem regras globais claras.

Comentários