Lisboa, 03 jul 2026 (Lusa) – O líder do Chega lançou hoje duras críticas a Luís Montenegro, instando o primeiro-ministro a retirar lições das falhas cometidas no ano transato na gestão dos incêndios florestais. À entrada para uma conferência do grupo político europeu "Patriotas pela Europa", na capital portuguesa, André Ventura censurou a deslocação do chefe do Executivo ao Canadá para assistir ao jogo da seleção nacional no Mundial de futebol, numa fase que considera crítica para o país.
Ventura apontou que a ausência do governante transmite uma mensagem negativa à população, traçando um paralelo com o verão anterior, quando Montenegro marcou presença na festa partidária do Pontal, no Algarve, numa altura em que várias frentes de fogo lavravam em território nacional. O presidente do Chega apelou a uma maior liderança e presença física no terreno, resumindo a sua posição com a exigência de "menos festas, mais coordenação".
O líder partidário abordou também o facto de Portugal ter acionado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, interpretando o pedido de ajuda internacional como uma admissão velada, por parte do Governo, de que o planeamento interno falhou. Na mesma intervenção, aproveitou para reiterar a necessidade de endurecer as molduras penais para quem ateia fogos de forma dolosa.
Por fim, André Ventura lamentou a rejeição parlamentar do diploma do Chega que visava aplicar a perda de nacionalidade a cidadãos naturalizados em determinados cenários de condenação — uma proposta que já tinha sido travada pelo Tribunal Constitucional e pelo Presidente da República. O deputado apontou o dedo ao PSD por votar ao lado do PS, contrastando a sua posição com a do CDS-PP, que votou favoravelmente ao lado do Chega.