Teerão, 29 de junho de 2026 (Lusa) — O governo do Irão anunciou hoje a realização da primeira reunião oficial da comissão conjunta com o sultanato de Omã. O encontro teve como objetivo coordenar o tráfego de navios no estreito de Ormuz, uma rota marítima vital que tem estado no centro de uma violenta troca de ataques entre Teerão e Washington.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano para os Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, utilizou as redes sociais para detalhar que a reunião decorreu em Mascate, contando com a presença do secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Omã, Abdulaziz al-Hanaei.
De acordo com Gharibabadi, as conversações serviram para analisar a situação atual na região e debater o futuro controlo do estreito, tendo por base os direitos soberanos dos países costeiros e o artigo 5.º do Memorando de Entendimento de Islamabade — o tratado assinado com os norte-americanos para tentar pacificar o Médio Oriente.
Este anúncio surge poucas horas depois de uma fonte oficial da Casa Branca ter revelado à agência Europa Press que os Estados Unidos e o Irão estão dispostos a suspender os combates e a manter negociações técnicas, mas impõem uma condição: a garantia de livre circulação para todas as embarcações em Ormuz.
A mais recente crise militar eclodiu na passada quinta-feira, quando forças iranianas atacaram um cargueiro com bandeira de Singapura. Os EUA consideraram o ato uma quebra do acordo de paz e retaliaram imediatamente com bombardeamentos aéreos em território iraniano. Em resposta, Teerão acusou Washington de violar o cessar-fogo e lançou contra-ataques contra bases e interesses norte-americanos na região.
Apesar da mediação de Omã, o executivo iraniano endureceu o tom no último domingo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, a sublinhar que o controlo de Ormuz pertence apenas à República Islâmica e que ingerências estrangeiras só vão atrasar a normalização do tráfego. Enquanto o Irão e Omã exigem liderar a segurança da zona, os EUA e os seus aliados pressionam pelo regresso ao modelo antigo, livre de taxas ou portagens de passagem.