Jerusalém, 28 de junho de 2026 (Lusa) — As chefias militares de Israel ratificaram este domingo a extensão das suas manobras de combate na região sul do Líbano. A decisão estratégica traduziu-se no lançamento imediato de novas investidas aéreas sobre o país vizinho, mesmo após a recente validação do plano de tréguas promovido pela comunidade internacional.
Em comunicado oficial divulgado pela agência noticiosa EFE, as forças armadas informaram que o chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, validou as orientações operacionais futuras com base numa análise detalhada da "realidade no terreno". Curiosamente, o líder militar fez questão de elogiar o acordo selado na passada sexta-feira, rotulando-o de "histórico e importante" e atribuindo o mérito do sucesso diplomático à pressão exercida pelo próprio exército israelita.
"Honraremos o acordo e trabalharemos para garantir o seu sucesso. O teste agora está nas ações de ambos os lados e o período que se avizinha moldará o futuro", asseverou o general Zamir, remetendo a estabilidade da região para o cumprimento escrupuloso das condições estabelecidas por ambas as partes.
Contrariando o espírito do cessar-fogo, as bombas voltaram a cair no território libanês. A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) deu conta de várias incursões aéreas israelitas, que dão seguimento à vaga de bombardeamentos de sábado que já tinha provocado pelo menos uma vítima mortal. Do lado de Telavive, a justificação prende-se com a necessidade de intercetar e alvejar operacionais do Hezbollah que se encontravam posicionados junto à linha de demarcação de segurança.
Este novo capítulo da crise militar ocorre na ressaca do anúncio feito em Washington de um pré-acordo mediado pela administração norte-americana. Num esforço de consolidação diplomática, o chefe de Estado libanês, Joseph Aoun, manteve este sábado uma conversa telefónica com o homólogo norte-americano, Donald Trump, comprometendo-se a que as instituições oficiais de Beirute assumirão a responsabilidade de fiscalizar o tratado — cuja cláusula principal exige o desarmamento integral do Hezbollah em troca da retirada total do exército israelita.
No entanto, a viabilidade do pacto enfrenta um forte obstáculo interno. O Hezbollah, partido e braço armado xiita apoiado pelo Irão, declarou-se totalmente contra os termos negociados para colocar fim a um estado de guerra que se arrasta há décadas. De acordo com o líder da organização, Naïm Qassem, o texto constitui um "erro grave" e uma rendição inaceitável. O dirigente do movimento classificou o documento de "humilhante, vergonhoso e representativo de uma renúncia à soberania" do Líbano.