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Banco do bloco BRICS lança pela primeira vez dívida em Macau
A operação de 50 milhões de dólares marca a expansão da instituição liderada por Dilma Rousseff e apoia a estratégia da região chinesa de diversificar a sua economia além dos casinos.
Por Redação
Publicado em 27/06/2026 17:44
International
@Lusa

Macau, China, 27 de junho de 2026 (Lusa) — O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira do bloco político e económico BRICS, oficializou a sua estreia no mercado de capitais da região administrativa especial chinesa de Macau através de uma emissão de dívida fixada em 50 milhões de dólares (cerca de 43,9 milhões de euros).

De acordo com o comunicado emitido pela instituição, a transação — concluída na passada quarta-feira — é encarada como um passo estratégico fulcral para alargar as frentes de financiamento do banco e consolidar a sua influência em novos territórios globais. A operação financeira apresenta uma maturidade de três anos e foi estruturada em euros, com uma taxa indexada ao indexante SOFR acrescida de 0,3 pontos percentuais. O processo esteve a cargo da delegação local do Banco Industrial e Comercial da China, gigante bancário estatal, tendo a liquidação ocorrido na central de depósito de títulos de Macau, infraestrutura ativa desde o final de 2021.

Sediado em Xangai e liderado pela antiga Presidente brasileira Dilma Rousseff — cujo mandato de cinco anos foi renovado no início de 2025 —, o NDB nasceu em 2014 com o propósito de constituir uma alternativa de financiamento para as economias em desenvolvimento. Inicialmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o banco tem vindo a expandir o seu tabuleiro de membros, integrando Estados como os Emirados Árabes Unidos, Egito, Irão, Etiópia e, mais recentemente, a Indonésia.

Esta emissão surge num momento em que Macau tenta de forma vincada reduzir a sua dependência crónica do setor do turismo e do jogo, elegendo os serviços financeiros como um dos novos motores económicos. O chefe do Executivo local, Sam Hou Fai, revelou que o volume de títulos de dívida emitidos no território já superou a fasquia das 100 mil milhões de patacas.

A atração do banco dos BRICS reforça também o estatuto de Macau enquanto plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, um desígnio fixado por Pequim em 2003 através do Fórum de Macau. Esta vertente de ligação à CPLP já tinha ganho tração no início do ano, quando o Banco de Desenvolvimento da China emitiu dívida na região especificamente para financiar projetos em nações lusófonas.

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