Lisboa, 26 de junho de 2026 (Lusa) — As forças de segurança portuguesas apreenderam cerca de 41 toneladas de cocaína nos últimos 17 meses, um volume que permitia a produção de "pelo menos 410 milhões de doses individuais", revelou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
Os números globais, que reúnem o trabalho conjunto de todas as polícias do país, foram avançados pelo diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, Artur Vaz. A divulgação ocorreu em Lisboa, durante a apresentação de uma campanha do Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD) focada na prevenção de consumos de risco entre a população jovem.
De acordo com o responsável, o produto estupefaciente tinha como destino principal o mercado europeu. Caso tivesse chegado às redes de distribuição, teria gerado um encaixe financeiro superior a 1,6 mil milhões de euros para as organizações criminosas.
Num balanço detalhado partilhado nas redes sociais — que coincide com o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas —, a PJ especificou que 25 toneladas foram confiscadas ao longo do ano de 2025, enquanto as restantes 16 toneladas foram travadas entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2026.
A forte atividade operacional neste período resultou na detenção de 6.269 indivíduos por crimes de tráfico de estupefacientes, tendo uma parte significativa dos suspeitos já sido submetida a julgamento. "Estamos a trabalhar em prol de outros países da União Europeia. São resultados que muito nos orgulham", sublinhou Artur Vaz, deixando um aviso claro às redes criminosas ao afirmar que o narcotráfico é "um caminho errado" e que, "mais cedo ou mais tarde", os contornos ilícitos acabam detetados.
Logo após a sessão de lançamento da campanha — que contou com as intervenções da presidente do ICAD, Joana Teixeira, e da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo —, as autoridades procederam à destruição por queima de cerca de 6,5 toneladas de substâncias ilícitas, maioritariamente cocaína, numa unidade de tratamento de resíduos. Segundo fontes da PJ, esta incineração é uma rotina mensal que destrói toneladas de droga associadas a processos judiciais já concluídos.