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Quase metade das cidades europeias atinge recordes de stress térmico durante onda de calor
Estudo do World Weather Attribution revela que 45% das metrópoles estão sob níveis sem precedentes de calor e humidade, um cenário considerado intolerável há cinco décadas.
Por Redação
Publicado em 26/06/2026 10:49
International
@Lusa

Redação, 26 jun 2026 (Lusa) — Quarenta e cinco por cento dos centros urbanos na Europa já superaram, ou estão na iminência de superar, os seus picos históricos de stress térmico face à atual vaga de calor extremo que assola o continente. A conclusão pertence a uma investigação do consórcio World Weather Attribution divulgada esta sexta-feira.

O relatório detalha o impacto meteorológico em 854 cidades de 30 nações europeias, constatando que 385 dessas localidades registaram ou vão registar valores recorde no índice WBGT (temperatura de globo e bulbo húmido). Esta métrica avalia o impacto real no corpo humano ao cruzar dados de temperatura, humidade, radiação e velocidade do vento. Os cientistas reforçam que o cocktail de calor abrasador e humidade elevada multiplica os perigos para a saúde de grupos de risco, como seniores, crianças e profissionais expostos ao exterior.

Os especialistas sublinham que a presente onda de calor seria um fenómeno "virtualmente impossível" no ano de 1975, uma vez que as marcas térmicas de há 50 anos seriam 3,5°C inferiores. O estudo aponta ainda que as noites tropicais de hoje — que impedem o descanso e a recuperação física do organismo — são agora 100 vezes mais prováveis do que durante a trágica vaga de calor europeia de 2003.

A comunidade científica associa diretamente este agravamento às emissões com efeito de estufa derivadas da queima de combustíveis fósseis. Theodore Keeping, investigador do Imperial College de Londres, expressou alarme perante a rapidez com que os recordes têm sido pulverizados na Europa em meses consecutivos.

Por seu turno, Simon Stiell, secretário executivo da ONU para o clima, classificou o panorama europeu como um sintoma claro de alterações climáticas "sem controlo", apelando a uma migração célere para energias limpas e sustentáveis. Na mesma linha, a climatologista Friederike Otto lamentou a inércia política, ironizando que os cientistas parecem um "disco riscado" ao repetir que as soluções existem, mas continuam por aplicar à velocidade necessária.

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