Vila Nova de Famalicão, 23 jun 2026 (Lusa) — Várias obras em centros e unidades de saúde vão mesmo falhar os prazos estipulados e perder o financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O cenário foi confirmado esta terça-feira pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que procurou desdramatizar o impacto ao sublinhar que "nem só de PRR vive o país".
À margem da inauguração de uma nova Unidade de Saúde Familiar (USF) em Vila Nova de Famalicão, a governante explicou que ainda não é possível adiantar o número exato de instalações afetadas, uma vez que a situação está a ser reavaliada diariamente pela tutela.
"Algumas vão falhar, não lhe posso dar um balanço porque todos os dias estamos a analisar. Até 31 de agosto, está-se a fazer um esforço enorme", declarou aos jornalistas.
A ministra justificou os atrasos com as dificuldades imprevistas que têm afetado o setor da construção civil, apontando o impacto do chamado “comboio de tempestades” como o principal motivo para a forte quebra na disponibilidade de mão-de-obra.
Ainda assim, Ana Paula Martins garantiu que o Ministério está a trabalhar em contrarrelógio juntamente com os municípios e com a Rede Nacional de Cuidados Continuados e Paliativos para tentar salvar o máximo de verbas possível. "Nós vamos usar o dinheiro dentro daquilo que são as regras do PRR até ao último cêntimo", asseverou.
Para os projetos que não consigam cumprir a meta europeia, a responsável pela pasta da Saúde garantiu que as obras não vão ficar pelo caminho, remetendo o financiamento para outras vias públicas.
"A seguir teremos de avançar com os outros fundos, naturalmente, e também com aquilo que é o Orçamento do Estado, quando ele for discutido na Assembleia da República, pelos vários partidos", concluiu a ministra.