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Livre com jornadas entre Leiria e Lisboa com atenção nas tempestades e contra “o desenrasca”
Partido inicia encontros parlamentares na Região Centro e exige uma "cultura de prevenção" face a fenómenos climáticos extremos, acusando o Governo de falhar no apoio às populações.
Por Redação
Publicado em 22/06/2026 07:45
Nacional
@Lusa

Leiria, 22 jun 2026 (Lusa) – O Livre arranca hoje com as suas jornadas parlamentares, divididas entre os distritos de Leiria e Lisboa, tendo como tema central o impacto das fortes intempéries que atingiram o país no início do ano. O partido pretende contrapor a tendência nacional do "desenrasca" com uma forte aposta no planeamento a longo prazo. O deputado Rui Tavares defendeu que os portugueses são perfeitamente capazes de adotar uma mentalidade de prevenção e que a organização face às alterações climáticas não deve ser vista como um exclusivo dos países nórdicos.

Durante os próximos dois dias, a comitiva do Livre vai estar no terreno na Região Centro para ouvir as populações afetadas e avaliar a eficácia — ou a ausência dela — na resposta governamental às sucessivas tempestades de janeiro e fevereiro. O roteiro começou com uma deslocação ao Pinhal de Leiria, num encontro que reuniu os deputados com a associação ambientalista Zero e o ICNF. O programa do primeiro dia inclui ainda passagens pelo Sport Operário Marinhense, severamente danificado pelo mau tempo, e pela empresa de moldes SOCEM, terminando com uma reunião com Paulo Fernandes, responsável pela estrutura de missão para a reconstrução da região.

Esta nova estrutura de apoio governamental tem sido, aliás, alvo de forte contestação por parte do Livre. O partido critica a nomeação do antigo deputado do PSD, Luís Leite Ramos, para liderar a Agência Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, argumentando que lhe falta a força política necessária para fazer exigências firmes e denunciar falhas caso os apoios financeiros não cheguem a quem precisa. Rui Tavares sublinha que, meses após os temporais, as verbas prometidas continuam por receber.

Como resposta a estas falhas, o Livre tem insistido em propostas de modernização tecnológica no Parlamento. Um dos exemplos apontados pelo líder do partido é a urgência em substituir os atuais avisos por SMS — que muitas vezes chegam aos telemóveis com horas de atraso — por um sistema avançado de alertas de emergência via sinal de rádio, aproveitando as infraestruturas que as operadoras já possuem para garantir avisos imediatos em cenários de catástrofe.

O segundo dia dos trabalhos parlamentares desloca-se para a Casa do Parlamento, em Lisboa. O evento contará com intervenções de abertura da líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes, e debates moderados pelos deputados Jorge Pinto e Patrícia Gonçalves. O encerramento das jornadas ficará a cargo de Rui Tavares, após painéis de discussão que vão juntar académicos e especialistas, como a economista Susana Peralta e representantes da WWF Portugal, para debater a resiliência do território e os modelos económicos pós-catástrofe.

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