Redação, 21 jun 2026 (Lusa) – A Câmara Municipal do Porto Santo decidiu colocar um travão na expansão da capacidade hoteleira da ilha. O executivo liderado por Nuno Batista inviabilizou a edificação de mais 15 hotéis planeados para a frente de praia, justificando a medida com a necessidade de evitar o colapso dos recursos locais e a pressão humana sobre o território, que conta com apenas 43 quilómetros quadrados.
Segundo o autarca, a introdução destas novas unidades exigiria a contratação de cerca de 7.500 profissionais (calculando uma média de 500 trabalhadores por hotel), um volume de mão-de-obra insustentável para a realidade demográfica da ilha, que tem uma população residente de 5.200 cidadãos. Em vez de expandir a infraestrutura física, a estratégia assenta agora no conceito de "refúgio de sentidos", canalizando 16 milhões de euros de fundos comunitários do quadro 2030 para a sustentabilidade ambiental e requalificação do património.
A hotelaria local, que conta atualmente com 26 estabelecimentos, registou em 2025 mais de 134 mil hóspedes, com o turismo de origem nacional a representar mais de metade do mercado. O pico de ocupação concentra-se em agosto, mês em que a ilha chega a albergar 30 mil pessoas em simultâneo. Para fazer face à escassez de recursos humanos nesta época alta, as empresas do setor têm recorrido significativamente a trabalhadores imigrantes, sobretudo oriundos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrados através de uma escola de formação profissional local.
Apesar do desempenho económico do setor, o município critica as fortes restrições na mobilidade aérea fora do período estival. Nuno Batista lamenta a ausência de ligações diretas ao território continental durante todo o ano, considerando a situação uma quebra de coesão territorial que prejudica quer os residentes, quer a captação de clientes na chamada época baixa. A autarquia prepara agora um estudo técnico para definir a capacidade de carga máxima que o Porto Santo consegue suportar a longo prazo.