Lisboa, 16 jun 2026 (Lusa) — O Sport Lisboa e Benfica prevê alcançar um resultado líquido positivo de 8,4 milhões de euros no orçamento do clube destinado à temporada de 2026/27. Na mensagem que serve de introdução ao documento, o presidente dos "encarnados", Rui Costa, assegura que a proposta consegue articular o investimento competitivo nos plantéis com as metas de estabilidade económica necessárias para o futuro da instituição.
O plano financeiro, ao qual a agência Lusa teve acesso, estima que os rendimentos totais atinjam os 70 milhões de euros, enquanto as despesas fixadas se situam nos 61,6 milhões de euros. A obtenção deste superávit de 8,4 milhões de euros espelha uma rota de crescimento quando comparada com os 3,91 milhões de euros estimados para o fecho da época de 2025/26, superando também os 7,65 milhões de euros registados no exercício de 2024/25.
A sustentabilidade das receitas apoia-se fortemente na vertente comercial e na ligação aos adeptos. O merchandising lidera as fontes de financiamento próprio com uma estimativa de 25,1 milhões de euros (36%), seguido de perto pela quotização dos associados, que deverá render 23,5 milhões de euros (34%). Os royalties associados à marca Benfica representam 10,7 milhões de euros (15%) do bolo total. No capítulo dos custos, a fasquia dos 61,6 milhões de euros divide-se essencialmente entre os fornecimentos e serviços externos (20,6 milhões de euros) e os encargos com o pessoal (20,4 milhões de euros), pesando cada uma destas rubricas 33% na despesa global.
A votação da proposta orçamental está agendada para o próximo dia 27 de junho, num plenário que arranca às 14:00. Antes disso, na manhã do mesmo dia (08:30), os associados reúnem-se na reunião magna para analisar e deliberar sobre o Relatório e Contas referente ao ciclo de 2025/26.
De recordar que, por força da revisão estatutária validada em março de 2025, o chumbo duplo do relatório de gestão dita a destituição automática da Direção em funções. No entanto, este dispositivo legal apenas é aplicável a partir do segundo ano de mandato de cada elenco diretivo. Como tal, a equipa liderada por Rui Costa — reeleita no sufrágio de outubro de 2025 — está salvaguardada nesta primeira apresentação de contas pós-eleitoral.
Estes encontros magnos acontecem num ambiente de forte escrutínio por parte dos sócios. Em junho de 2025, num claro sinal de contestação interna que antecedeu as eleições de outubro, os associados chumbaram de forma expressiva o orçamento para 2025/26 com 73,80% de votos desfavoráveis. Já em 2024, a Direção de Rui Costa — que assumiu os destinos do clube em 2021 — tinha falhado a obtenção da maioria absoluta que os antigos estatutos exigiam para a validação das contas.